ROBERTO PINHEIRO ACRUCHE PROCLAMADO INTELECTUAL DO ANO DE 2014.

ROBERTO PINHEIRO ACRUCHE PROCLAMADO INTELECTUAL DO ANO DE 2014.

MEU ESPELHO - POEMA

MEU ESPELHO

Meu espelho, revelador!...

Arca de memórias,

juiz implacável do presente,

profeta mudo do futuro,

confessionário e principal consultor.

Sorrindo diante de ti

relembro os meus dias de infância

gesticulando e fazendo caretas...

Na vaidade da adolescência e juventude

extraindo acnes, penteando os cabelos,

raspando os primeiros fios de barba

experimentando roupas...

Quanto desvelo com a aparência!

Tudo sem perceber as transformações naturais

provocadas pela maturidade,

fator imposto pela idade,

pelo tempo, senhor de cada momento,

fosse ele, alegre, feliz, triste ou sofrido.

Agora, diante de ti,

mesmo estando a sorrir

estou subordinado às mutações...

Uma ruga que antes não existia,

hoje habita e marca a minha fisionomia...

Os cabelos longos, fortes, cheios,

que exigiam tantos cuidados,

apenas uns poucos ainda existem,

presentemente esbranquiçados

e jogados um tanto para os lados.

No entanto, o que mais me revela e me assusta,

não é a modificação irreversível, progressiva e bruta,

não são os momentos felizes ou tristes do passado;

nem o que fiz de certo ou errado;

não são os tempos perdidos, desiludidos...

Não são os ideais que não puderam ser alcançados;

ainda que me deixem entristecido.

Muito menos, por tanto haver me empenhado

e me obrigado a compromissos...

Nada disso!

Mesmo que tenham me abalado, também não são

as paixões e os amores fracassados...

Não é o futuro das minhas obras e conquistas;

não é a aparência de um homem cansado

desestabilizado, desalinhado,

vivido, sofrido,

nem sempre barbeado... Definhando!...

O que verdadeiramente me revela e me assusta

é o presente!... Esse presente

sem prorrogação, motivação,

sem meios de recuperação

para a efetivação de tantos sonhos

que ainda vivo sonhando.

Roberto P. Acruche

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Quem Sou eu

Eu sou um caso,
um ocaso!
Eu sou um ser,
sem saber quem ser!
Eu sou uma esperança,
sem forças!
Eu sou energia,
ora cansada!
Eu sou um velho,
ora criança!
Eu sou um moço,
ora velho!
Eu sou uma luz,
ora apagada!
Eu sou tudo,
não sou nada!
Roberto P. Acruche

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