A NOSSA CASINHA

Diga, por que isso agora?
Se durante tanto tempo
estivemos unidos
nos amamos, fomos amigos
tão queridos;
se trocamos juras, paixão,
ternura, carinho e emoção...
Por que isso agora?...
Se antes fora tão linda a nossa união!
Deixa-me entrar nesta casinha
que é tua, eu sei,
mas que também é minha.
Deixa-me senti-la de novo,
cheirar o teu cheiro,
teu cheiro gostoso.
Deixa-me invadi-la,
penetrá-la, não mais resisto, insisto...
Deixa que eu mexa e remexa como tanto fiz.
Foram tantas as intimidades, já não resisto à saudade...
Deixa que eu faça e desfaça,
como tanto pedira para que fizesse.
Deixa-me entrar nesta casinha, formosa, gostosa, mesmo sendo apertadinha,
que é tua eu sei, mas que também é minha.
Deixa-me entrar agora, sem demora,
já fazem horas que eu te peço...
Não me deixe aqui, assim, de fora...
Se ainda não está arrumada,

se está molhada, que importa?
Abra a porta, vai ser bom, me conforta...
Deixa-me entrar nesta casinha, que é tua, eu sei, mas que também, foi sempre minha!

                         Roberto Pinheiro Acruche



A FLORESTA QUE SONHEI
Bebo da fonte
escuto o vento
admiro a natureza...
Olho as árvores,
que beleza!

       Vejo uma que está mais distante
       e por um instante,
      imagino...
Qual será o seu destino?

Desde menino
sonhava plantar uma árvore
que fosse frondosa
que desse fruto
que abrigasse os pássaros
que sua folhagem
resistisse o outono,
que não tivesse dono...
       Que passasse anos e anos...
       Sem que fosse cortada,
em lenha transformada,
nem mesmo, em móveis, canoas, remos,
ou até, em piano!...

       Que em sua volta
       caíssem as sementes
surgissem os brotos
sobre a terra ardente
e à assombreasse tão somente
com outras árvores
que fossem frondosas
que dessem frutos
que abrigassem os pássaros
que suas folhagens
resistissem o outono,
que não tivesse dono...
que suportassem os anos,
que não fossem cortadas,
nem mesmo,
para serem transformadas em pianos...

       Que nos arredores
       desabrochasse uma floresta
       para que a natureza em festa
       poetizasse o som dos ventos
       o murmúrio das árvores
       a cor das flores
       engalanando a paisagem
       sustentando
a verdejante folhagem,
que sob a chuva ou a estiagem,
é suportada pelos troncos enraizados
que sulcam a terra.

E para realizar o meu sonho
plantei a semente de várias árvores,
na esperança de seu crescimento, fecundidade e frutos...

       Umas estão em fase de elevação;
germinando, com brotos florescendo;
mas ainda, longe de atingir a magnitude e produzir a floresta visualizada pela imaginação.

               Outras, infelizmente,
               nem chegaram a se aquecer
sob a luz do sol, molhar-se na chuva, ou mesmo com o orvalho no período de estiagem.

               Perderam-se sob a terra ardente!

                      Mas plantei a semente!...

               Se as que floresceram me trazem a esperança da transformação em uma mata bonita, espessa;
as que morreram me fazem amargar a consternação,
a tristeza, de não vê-las crescendo, se multiplicando,
enriquecendo a natureza.

Seria pretensioso o sonho meu,
querer que todas se salvassem
crescessem e se multiplicassem?

Ou quem sabe uma heresia?

Pois mesmo as árvores
plantadas por Deus,
morrem, são cortadas, queimadas,
impiedosamente dizimadas...

Inclusive, uma delas,
foi utilizada para crucificar o Divino.

       Não seriam as cultivadas
       por um simples e mortal menino, sonhador,
que iriam sobrepor - o destino,
definido para cada invenção do Criador.

Seja lá o que for!...
Vou continuar acreditando
que posso fazer, e ainda ver florescer,
a floresta verdejante,
com árvores frondosas
que dão frutos
que abriguem pássaros
e suas folhagens
resistam o outono,
que não tenham dono
que suportem os anos
que não sejam cortadas
nem mesmo,
para serem transformadas
em pianos...

        Roberto Pinheiro Acruche.


LABAREDAS

Espero-te!
Meu corpo arde em chamas
muito além do suportável...
A saudade de ti
invade-me com imensurável loucura!
Volte, como sempre:
Poderosa, alucinada, insana...
Quero os teus beijos, teu colo, teu cheiro, teus desejos.
Venha com toda a tua excitação...
em busca do amor...
queimando de paixão. 


                                                         Roberto Pinheiro Acruche

Quem Sou eu

Eu sou um caso,
um ocaso!
Eu sou um ser,
sem saber quem ser!
Eu sou uma esperança,
sem forças!
Eu sou energia,
ora cansada!
Eu sou um velho,
ora criança!
Eu sou um moço,
ora velho!
Eu sou uma luz,
ora apagada!
Eu sou tudo,
não sou nada!
Roberto P. Acruche

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