FUJO
Isabel Passos
Lisboa/Potugal
Fujo. Fujo de ti, fujo de mim.
Fujo da vida, enfim...
Levaste contigo a minha alegria de viver,
a minha força de querer.
Aos poucos estou a morrer vivendo sem viver.
Sigo, bebendo da emoção de amigos queridos,
poucos, muito poucos, mas verdadeiros, leais.
Tão reais que, ainda que haja interrupções ao longo da vida, retomam onde foi interrompida. Sem mágoas, sem rancor,
com amor, respeito, tolerância.
Que neste coração vazio, sem dor,
sem nada, já nem existe a ânsia...
Penso,
penso,
penso nesta clausura, neste isolamento.
Porque me inflijo tal sofrimento.
Não, não lamento, porque é assim que quero estar, porque não tenho a quem amar, porque entre Vida e alegria, sou ninguém. Só, entre meus rabiscos, me sinto bem.
Porque não estás lá, também?
Por onde andas amor?
Porque te escondes?
Mostra-te por favor!
Não me deixes assim, sem vontade de mim.
Sem vibrar de sentimento...
Acaba por ser um tormento assim viver,
lentamente a fenecer.
Não existe maior dor que ter uma vida para viver, vê-la passar como mero espectador, porque foge ao auto controlo a vontade de querer outra coisa qualquer...
2010/03/23
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EU SOU PARADOXAL.
– Miguel Russowsky|SC –
Eu não posso levar uma vida tranqüila
por ser paradoxal. E digo sem receio
que rezo sem ter fé, para um Deus que não creio.
Duvidar me faz bem, mas também me aniquila.
Por ser paradoxal, minha vivência oscila,
entre inferno bonito e o paraíso feio.
Há pecados demais com virtudes no meio.
No esplendor de meus sois, luz alguma cintila.
Por ser paradoxal, sempre fiz da esperança
uma idéia gentil perpetuamente em guerra,
que, sem se definir, recua quando avança.
Felicidade , a minha, eu juro que consiste,
durante esta fugaz passagem pela terra,
em ser um palhacinho alegremente triste.
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A BELEZA DA VIDA.
– João Justiniano/BA –
A beleza da vida está na própria vida,
nas flores do jardim, no fruto do pomar.
No amanhecer do dia, o sol vindo do mar,
ou da várzea, da serra - eterno na subida.
A beleza da vida está no conjugar
os rios, a floresta, e a comprida avenida...
Pista e velocidade, os pneus a rolar!
Ou, no espinho e na rosa? Ou na idade vivida?
A beleza da vida – o homem no trabalho,
no campo ou na cidade. A enxada. A pena. O malho.
Mover de sonho e fé, de luz, de cabedais.
A beleza da vida – o todo na impulsão
de tudo que se move. O amor, o coração...
O destino da paz, a paz. A íntima paz!
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ODE A BERNARDO TRANCOSO.
– Clarisse Barata Sanches/Portugal –
Bernardo Trancoso, Poeta brilhante!
Merece os aplausos que lhe são devidos,
por ter na Internet lá sítio importante,
aonde possamos ser mais conhecidos!
Lugar de recreio... e acariciante,
de lindos sonetos de amor revestidos;
seu estro inspirado, superabundante,
é de ouro aquarelas e sonhos queridos!
Um dia, a passeio, me surge o jardim...
e logo a minha alma pulsou de carinho,
ao ver ali Anjos cantando pra mim!...
Estrofes luzentes, entre elas caminho...
sonetos tão belos! Sonetos sem fim!
Bem-haja, Bernardo, por este cantinho!